Nos parques e jardins das cidades do interior, o sombreado das árvores desenha um espaço imprevisto e acolhedor. Nele transcorrem atividades lúdicas, esportivas, festivas ou de mero ócio e contemplação. Como diz o poeta, “a vida era ali: debaixo das árvores”. Na unidade Sesc Thermas de Presidente Prudente, constrói-se este lugar do encontro, sem pressa e repleto de pequenas alegrias. Assim imaginam-se as atividades distribuídas em um embasamento mineral, livre e poroso, sob uma cobertura regular e modulada que se eleva à altura da copa do arvoredo circundante, compartilhando – edifício e parque – um sombreado comum.
A implantação guia-se por uma intenção de continuidade e fluidez. Se a nova praça d’água está na posição do antigo conjunto aquático, avivando nos frequentadores sua memória afetiva, o edifício proposto, por sua vez, tem uma ocupação compacta, racional e econômica, que busca um equilíbrio entre a topografia natural e o corte e a escavação necessários, minimizando terraplanagens e contenções. Dois platôs acomodam as cotas estruturantes do projeto: térreo do bairro e térreo do parque. Estes definem os generosos acessos ao conjunto pela avenida Luiz Peretti e pelo encontro das ruas Floreano Borges e Alberto Peters. Cada entrada é assinalada por uma praça com características e escala próprias. A das ruas Borges e Peters se desenha como um largo, uma praça de bairro com árvores frutíferas e a horta comunitária, dando acesso à cota da cidade; já aquela da avenida Luiz Peretti, a principal e maior, conduz por alamedas aos dois platôs e à esplanada de apresentações para onde o teatro se abre.
No nível superior, afloram volumes porosos que abrigam os espaços de convivência, a central de atendimento, as salas de múltiplo uso, a loja, os espaços de brincar, as salas de ginástica e as quadras poliesportivas – todos esses programas amparados por sanitários, vestiários, salas técnicas e depósitos. O percurso neste térreo do bairro é livre da monotonia de corredores fechados, constituindo-se como uma sucessão de acontecimentos e trocas – como as unidades do Sesc devem ser. Este pavimento, ao fazer esta mediação da cidade com o parque, lembra as palavras do professor Carlos Lemos sobre a varanda na casa rural paulista: desejável transição do interior da morada para o quintal, o pomar. No avarandado do Sesc Thermas, transcorre a passagem da cidade para a mata; vegetação e paisagem se revelam parte da atmosfera do lugar, definindo a percepção dos espaços. A posição privilegiada das quadras permite, com grandes arquibancadas, receber, além de jogos recreativos, apresentações culturais menores e informais. Seis metros abaixo no térreo do parque, estão os demais programas de uso coletivo com seus respectivos apoios: acesso principal ao teatro (foyer), comedoria, espaço de exposições, biblioteca, o complexo aquático e a praça d’água. Os volumes se expandem para o exterior; tal é o caso da comedoria que abre suas portas, com mesas distribuídas ao ar livre, sendo aí o próprio quintal para as crianças, local de ações imprevistas e convidativas que explorem em termos culturais e educativos a natureza. São fundamentais para este sistema de organização espacial, as conexões verticais entre os dois térreos, seja através de escadas-arquibancadas, dispostas no sentido do desnível do terreno, seja de elevadores de grande porte: o descer e subir como atividade social descompromissada e cotidiana.
Duas cotas intermediárias completam o edifício. O pavimento infraestrutural, entre os dois térreos, abriga espaços de apoio à comedoria, depósitos, almoxarifados, estacionamento – ligados por uma rua técnica. Na cota acima do térreo do bairro, está um pavimento administrativo e de serviços que reúne, em ilhas interligadas por passarelas, além da gerência e o núcleo de tecnologia e informação, outros espaços de coordenação ou de fluxo controlado de pessoas – como odontologia, fisioterapia e acesso à arquibancada. Os volumes apresentam coberturas verdes que configuram locais de descanso para funcionários da unidade ou áreas técnicas.\
O teatro é posicionado no limite oposto à praça d’água, o que permite seu acesso independente, conexão direta com o estacionamento e docas, bem como a dupla abertura de seu palco, para a esplanada e para sua plateia interior, que pode ingressar nele pelos dois térreos. As necessidades técnicas – varas e demais dispositivos cênicos – fazem dele um volume destacado que tem seu caráter simbólico reforçado uma vez que o arremate de sua geometria é feito com um lanternim em policarbonato translúcido, do qual emana uma luz suave e regulável, marco visual e urbanístico na paisagem.